POEIRA E RASTROS: MEMÓRIA, IMAGEM E ESCRITA EM W. G. SEBALD

Autores

  • Luis Gustavo Cardoso

DOI:

https://doi.org/10.51497/rfc.v20n26-001

Palavras-chave:

Memória, Imagem, Escrita, Melancolia, Errância, W. G. Sebald

Resumo

Este artigo investiga a relação entre memória, imagem e escrita na obra de W. G. Sebald. Em primeiro lugar, e de maneira isomórfica, toma por princípio a errância, a caminhada e o movimento, que descrevem a ação dos astros e do protagonista em Os Anéis de Saturno (2010). Em segundo, explora a melancolia como condição latente que enseja a errância do narrador e, ao mesmo tempo, nela realiza toda a sua plenitude, uma característica notadamente associada ao planeta Saturno. Conforme se verifica, a errância é uma maneira de coletar, no detalhe, o fio da Razão. Com Hegel, o narrador segue os rastros de uma força que se movimenta na direção de sua autoconsciência e cujo movimento constitui a sua própria essência. Verifica-se, então, que a prosa de Sebald promove uma operação totalizante em que o jogo das correspondências e a simetria não linear da voz, que ecoa as vozes dos mortos, colocam lado a lado mundos que o tempo pensava ter sepultado. O conjunto ergue uma corrente dinâmica de temas que se entrelaçam e se correspondem a partir da estranheza e do ritmo obsessivo da memória minuciosa do narrador. Nessa prosa, o que liga as partes é o mesmo padrão tonal segundo o qual as diversas  intervenções vibram em ressonância, em uma relação não linear e não causal. Do texto, afinal, colhe-se a meditação profunda de Sebald sobre a memória e a identidade que contamina a sua própria escrita e se ampara em uma concepção particular do tempo.

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Publicado

2024-05-14

Como Citar

Cardoso, L. G. (2024). POEIRA E RASTROS: MEMÓRIA, IMAGEM E ESCRITA EM W. G. SEBALD. Revista Filosofia Capital - ISSN 1982-6613, 20(26), e512. https://doi.org/10.51497/rfc.v20n26-001

Edição

Seção

Artigos